
De
acordo com
estudos realizados pelo Padre Theophilo Lopes de Andrade, que cita, por sua vez
como fonte o
historiógrafo Salomão de Vasconcelos, “a bandeira de Antônio
Rodrigues Arzão, o primeiro a revelar o ouro das Gerais, esteve também,
em l639, em nosso município.”
E prossegue:
“
Penetrou ele pela Embaú e passando o Itaverava rumou para o Tripuí,
rio ouropretano, onde encontrou ouro”.
Pela narrativa do Padre Theophilo, o bandeirante Antônio Rodrigues continuou
sua marcha rumo a Guarapiranga, com o objetivo de prear índios, isto é,
aprisionar, prender, dominar. Levava cinqüenta homens. Passou por Lavras
Novas, Chapada, Tabões e atravessou as nascentes do rio Mainart, para
alcançar Piranga.
O bandeirante teria ficado seduzido com a notícia de que se aproximava
de um rio farto em metais amarelos, iguais aos encontrados em Tripuí.
Atravessou então a serra de Guarapiranga, sempre guiado pelos índios,
e chegou à célebre Casa de Casca.
Os historiadores divergem sobre a localização dessa Casa. “Mas
Salomão de Vasconcelos, depois de acurados estudos e pesquisas em arquivos,
chegou à conclusão de que ela esteve realmente localizada nas proximidades
da Serra dos Arrepiados, na região atravessada pelo Rio Casca (Araponga).”
Arzão virou lenda, após 1693, e passou a ser cobiçada como
a montanha encontrada.
O Rio Casca, afluente do Rio Doce, assim como outros da região, passa
a ser alvo de mineração, atraindo reinóis, mamelucos, mulatos,
cafuzos, africanos.
O ciclo do ouro deu origem a tantos povoados da região.
Depois, as minas começam a se esgotar. E o governo português determinou
que se instalassem novas bandeiras a fim de conseguirem ouro “de qualquer
forma”. Assim, José Luiz Borges dirigiu-se ao sul de Coroados, “deparando-se
com a cobiçada região”, o “novo El Dourado”.
Em 1780, D. Rodrigo José de Menezes organizou uma bandeira “que
veio ter a estas paragens com o objetivo de catequizar os índios puris,
da nação Tupi e procurar novas minas de ouro.” A chefia e
subchefia da missão couberam ao Padre Manuel Luis Branco e Cap. João
Pereira Muniz, respectivamente.
Seguindo em direção à Casa da Casca, a expedição
passou por Mariana, Piranga, Guarapiranga, Santo Antônio de Vau Assu, dirigiu-se
para o Rio Casca e seu afluente Sant’Ana, contornando a serra dos Arrepiados
(Araponga). No córrego dessa Serra acharam ouro “em boa conta”.
Isto provocou a vinda do governador da Província ao considerado “Ciclo
do Ouro”, que inclui a região do que veio a ser o território
do Herval.
O ouro levou o povo a descuidar das plantações. Por isso, logo
que as extrações entraram em declínio, a população
deslocou-se para terras férteis da Zona da Mata., donde surgiram povoados
que se transformaram em várias cidades de hoje, inclusive Ervália, área
fértil, de água agradável, clima ameno e de altitude bastante
elevada em relação ao que era o Presídio. O primeiro nome
do lugar teria sido São Sebastião do Turvão, devido ao rio
que lhe cortava e tinha esse nome.
Em 1840, tornou-se Paróquia, filiada a São Miguel do Anta, sob
a denominação de São Sebastião dos Aflitos, por motivo
de fé e, ao mesmo tempo de angústia, pela razão de seu isolamento
que lhe dificultava acesso a médicos e farmacêuticos.
Em l853, tornou-se Freguesia, desligando-se de Ubá e passando a pertencer
ao município de Viçosa. Tornou-se São Sebastião do
Herval em 1886 Américo Taveira dirigiu um de seus primeiros jornais: “O
Herval”, em 19l3. No mesmo ano os irmãos Andrade publicavam a “Estrela
Ervalense”.
Américo Taveira também construiu o primeiro cinema, em 1917, funcionando
a motor.
A Usina de Força e Luz veio em 1919, construída por uma sociedade.
Por volta de 1920, o comércio do lugar apresentava-se bastante desenvolvido,
constando de três a quatro casas comerciais, sendo a principal a “CASA
DA ESTRELA”, que com um grande gramofone atraía a atenção
da freguesia, e duas farmácias.
Os irmãos Andrade construíram a primeira estrada de automóvel
em 1923.
Tornou-se cidade em 1938, juntamente com vários outros distritos que nesse
ano foram elevados a essa categoria.
O seu prefeito Waldir Laperrière estabelece comunicação
com os municípios de Guiricema, Visconde do Rio Branco, Miraí e
Muriaé.
“
São Sebastião dos Aflitos, foi o primeiro nome do povoado que se
formou em torno de uma capela, filial da freguesia de Arrepiados. Sua nova denominação,
São Sebastião do Erval, surgiu em 1886, quando já pertencia
ao município de Viçosa. Este nome se reduziu a Erval em 1923. Emancipado
pelo decreto lei 148, de 1938, Ervália ganha sua denominação
atual em 1943. Seu atual território situa-se numa área de 348 km2
quase todo em relevo montanhoso entre a menor altitude, 730 metros na foz do
ribeirão Turvo, até a altitude máxima de 1671 metros na
cabeceira do córrego Dom Viçoso. Sua população é de
17.010 ervalenses, tendo a sua economia diversificada na indústria de
confecção, alimentos e calçados, e uma desenvolvida agricultura,
produzindo com destaque café, milho, e feijão, além de pecuária
bovina.”
Fontes: Ervália, MG - trabalho de 09 páginas
de autoria do Padre Theophilo Lopes de Andrade e www.asminasgerais.com.br.
Franklin Netto -
Franklin@conscienciadamata.com.br |