
Do livro VIÇOSA, de Maria do Carmo Tafuri Paniago, extraímos
trechos ligados às origens dessa cidade:
“ Na trilha do Itaverava, à procura do Itacolomi, partiu de Taubaté Antônio
Rodrigues Arzão, com cinqüenta companheiros, em 1693. De Itaverava,
o sertanista marchou para a Serra do Guarapiranga (Garça Vermelha), hoje
Serra do Sanches, com o objetivo de prear índios. Dali avistou os píncaros
dos Arrepiados (Município de Araponga), que lhe pareceram mais próximos
do que realmente estavam. Descendo em sua direção, alcançou
o rio Piranga, onde vagavam alguns índios da nação Puri,
que lhe deram notícias da existência de ouro na região do
Casca.”
“ Arzão – prossegue a escritora -, guiado pelos Puris, atingiu
o Casca, passando por São João Batista do Presídio, hoje
Visconde do Rio Branco, através da Serra do Granadeiro ou Brigadeiro,
onde um pico denominado Pedra Menina foi tomado pelo Itacolomi. Depois de tirar
algumas oitavas de ouro, verificado o engano, atacado de febres, Arzão
quis voltar. Os índios que dele se acercaram, para que ele os defendesse
dos Botocudos do Rio Doce, temerosos dos conquistadores do Vale do Sipotaua (Xipotó – cipó amarelo),
não quiseram acompanhá-lo e concordaram apenas em segui-lo até o
povoado do Espírito Santo, vila mais próxima do que a de Taubaté”.
Mais adiante, prossegue a autora:
“ Nessas andanças, o sertanista Arzão teria pisado o solo
do município de Viçosa, em seu trajeto de Piranga em direção
aos Arrepiados, seguindo Salomão de Vasconcelos, traçou-lhe o roteiro
pela região de Viçosa: ...Passa por Lavras Novas, Chapadão,
Tabuões e atravessando as nascentes do rio Mainart, alcança Piranga,
trecho esse seguido pela antiga estrada de rodagem que liga aquela cidade a Ouro
Preto.”
Em outro trecho o Livro informa que outra bandeira chefiada pelo padre
Manoel Luiz Branco recebeu essa descrição de Alencar: “Passa
por Mariana, Piranga, atravessa o Guarapiranga, Santo Antônio do
Vau Assu, nas lindes de Viçosa, de onde volve para o nordeste,
rumando para o Casca, território do atual município de
Viçosa e para o seu afluente, o Sant’Ana, e contornando
a serra dos Arrepiados, hoje Araponga, no município de Ervália,
desmembrado de Viçosa.”
“ A cidade de Viçosa está localizada na Zona da Mata de Minas
Gerais, com uma área de 279 km², a uma altitude de 649 m e tem como
coordenadas geográficas o paralelo de 20º52’54” Long.
W Gr.
Limita-se, ao norte, com os municípios de Teixeiras e Guaraciaba;
ao sul, com os municípios de Paula Cândido e Coimbra; a
leste com os municípios de Cajuri e São Miguel do Anta,
e a oeste, com o município de Porto Firme. É constituída
por três distritos: Cachoeira de Santa Cruz, Silvestre e o da sede.”
“ Em 8 de março de 1800, o Padre Francisco José da Silva
recebeu provisão episcopal para erigir uma ermida, em um planalto que
se elevava acima da serra de São Geraldo. Trazendo inicialmente o lugarejo
o topônimo de Ermida, teve depois o seu nome completado com o rio que o
atravessa – o Turvo. Logo se forma ao seu redor um pequeno povoado que
ficou conhecido como Santa Rita do Turvo. Existem indícios de que os primeiros
moradores tenham sido emigrados de Ouro Preto, Mariana e Piranga em busca de
terras para a agricultura. A capela foi construindo seu patrimônio: em
1805 o capitão Manuel Cardoso Machado doa uma porção de
terras. Mas somente em 1832, por ato da Regência, o Curato de Santa Rita
do Turvo foi elevado à Freguesia.
A consolidação da urbe só ocorre na década
de 70, quando o pequeno povoado ganha estrutura física com a ampliação
de suas moradias, a demarcação de ruas e a edificação
pública. No campo as fazendas se ampliam. O município é então
criado através da lei nº 1.817, de 30 de setembro de 1871.
Entretanto, não bastava o decreto, devendo o município
cumprir formalidades legais para adquirir existência real. Assim
a instalação ocorre em abril de 1873. Poucos anos depois,
em junho de 1876, Viçosa de Santa Rita (homenagem a Dom Antônio
Ferreira Viçoso, bispo de Mariana) obtém foros de cidade,
através da lei mineira nº 2.2l6, de 3 de junho de 1876.
Para a demora entre a criação e instalação
de um município decorriam fatores de ordem social e política
em relação aos desdobramentos e as anexações
territoriais, a escolha das autoridades e a sua constituição,
a construção de prédios públicos, concorrendo
também fatos de origem político-partidária. Por
outro lado, durante quase todo o século XIX, a organização
administrativa dos povoados era uma profusão de critérios
civil e eclesiástico, confundindo-se no exercício de poder
o governo imperial e a autoridade eclesiástica. Assim, num arraial,
enquanto o poder civil era conferido a um Alferes ou Tenente de Ordenanças,
as atribuições religiosas eram exercidas por um Cura, que
extrapolando suas atribuições religiosas, dividia o poder
de mando com a autoridade civil na administração de um
arraial.
As gerações de fazendeiros ainda guardavam tradições
dos velhos pioneiros, mas se adaptam facilmente à lavoura cafeeira
e outros à cultura de cana-de-açúcar. Apresentava
a fazenda de café, em geral, um grau de capitalização
inferior à usina de açúcar, em virtude da condição
de equipamentos utilizados. O café e o açúcar proporcionam à comunidade
o calçamento, a luz elétrica e, finalmente, certa ordem
social e política, criando uma vocação agroexportadora
e a consolidação do poder das oligarquias agrárias.
Neste sentido, na década de 1920, Artur Bernardes, o mais ilustre
filho de Viçosa, viabilizaria a criação da Escola
de Agronomia, atualmente a Universidade Federal de Viçosa, um
dos mais importantes centros de estudos agronômicos da América
Latina.”
Fonte:
www.asminasgerais.com.br
Franklin Netto - Franklin@conscienciadamata.com.br
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